Bruno Novelli (Fortaleza, 1980) constrói universos pictóricos nos quais uma natureza exuberante serve de palco para a presença de seres híbridos e antropomórficos. A partir da assimilação de imagens de expedições científicas, mitologias ancestrais, bestiários fantásticos e tradições que perpassam o clássico, o gótico e o moderno, o artista elabora uma cosmogonia própria, em que referências históricas são reorganizadas sob uma chave imaginativa singular. Suas pinturas, marcadas por cores intensas e padronagens rítmicas, ativam o espaço como campo ornamental e narrativo ao mesmo tempo. Contornos litorâneos, matas fechadas e quimeras híbridas são compostos por desenhos minuciosos que sugerem movimento contínuo, como se a paisagem estivesse em permanente mutação. Camadas espessas criam veladuras translúcidas e relevos sutis, conferindo às figuras uma presença quase tátil — como imagens extraídas de tratados ilustrados e reinscritas em um tempo mítico. Ainda que evoquem o imaginário científico e enciclopédico, suas obras não se resolvem como registro ou classificação: operam antes como fabulação, instaurando um território em que conhecimento e fantasia coexistem como duas faces de um mesmo mecanismo.
Realizou exposições individuais na Galeria Thomas Cohn (2010, São Paulo), Galeria LOGO (2012, São Paulo), David B. Smith Gallery (2014 e 2018, Denver), SGR Galería (2015, Bogotá), Galeria Gestual (2017, Porto Alegre), AM Galeria (2019, Belo Horizonte), Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (2021, Porto Alegre); Galatea (2024, São Paulo), Museu Inimá de Paula (2025, Belo Horizonte) e Baró Galeria (2025, Paris).
Dentre as diversas exposições coletivas que participou, destacam-se “Persistência” (2006, MACRS, Porto Alegre); “Barro del Paraíso” (2012, Fundación OSDE, Buenos Aires); “Cosmovideografias Latinoamericanas” (2013, CENART, Cidade do México); “Mitovídeos” (2014, MIS, São Paulo); “Turismo Exótico Espiritual” (2017, Espaço Saracura, Rio de Janeiro); “Les Vivants (Living Worlds)” (2022, Fondation Cartier, Lille); “Siamo Foresta” (2023, Fondation Cartier at Triennale Milano, Milão); “Onde Há Fumaça: Arte e Emergência Climática” (2024, Museu do Ipiranga, São Paulo); “Cannibal Nature” (2025, Baró Galeria, Mallorca); “Cosmogonias Brasileiras” (2025, Natalie Seroussi, Paris) e “Exposition Générale” (2025, Fondation Cartier, Paris).
Sua obra integra a coleção da Fondation Cartier (Paris) e o Museu de Arte Contemporânea – MACRS (Porto Alegre).