Letícia Lopes (1988, Campo Bom) desenvolve uma pintura atravessada por atmosferas de ambiguidade e suspensão. Ao apropriar-se de livros de arte, fotografias, postais e enciclopédias como fontes iconográficas, reorganiza imagens do mundo em composições próprias, deslocando seus sentidos originais e conduzindo-as a um território de instabilidade perceptiva. Em camadas densas de tons escuros, faz emergir pontos de luz vibrantes que tensionam o campo pictórico entre ocultamento e revelação. Seja no algodão, no linho ou no papel, seu gesto esfumaçado sublinha o caráter instável das figuras, que surgem como aparições — intensas e, ao mesmo tempo, prestes a se desfazer. Animais silvestres, corpos indiscerníveis e formas híbridas habitam cenas noturnas marcadas por uma dramaturgia fluida, em que a nitidez cede lugar à miragem. Ao invés de construir narrativas fixas, a artista opta por uma pintura de sensação, na qual o espectador é convocado a atravessar atmosferas densas, povoadas por presenças em trânsito, que oscilam entre inscrição e desaparecimento. Desse modo, sua obra joga com as estruturas que orientam o olhar, abrindo espaço para zonas de ambivalência em que desejo, perigo e vulnerabilidade coexistem.
Realizou exposições individuais na Casa de Cultura Mário Quintana (2014, Porto Alegre); Galeria Ecarta (2015, Porto Alegre); Casa Paralela (2015, Pelotas); Santander Cultural (2016, Porto Alegre); Museu do Trabalho (2018, Porto Alegre); Centre Intermondes (2019, La Rochelle, França); Galeria Verve (2022, São Paulo); Garrido Galeria (2023, Recife); Biblioteca Mário de Andrade (2024, São Paulo); Bronze Residência (2025, Porto Alegre); e Verve Galeria (2025, São Paulo).
Participou de diversas exposições coletivas, entre elas o 20º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (2013, Palácio das Artes, Praia Grande); Arte.RS (2014, Memorial do Rio Grande do Sul, Porto Alegre); MOODBOARD (2016, Museu de Arte Contemporânea do RS, Porto Alegre); The Unique Institutional Critique Pop-up Boutique (2016, Galeria Cavalo, Rio de Janeiro); A Novíssima Geração (2017, Museu do Trabalho, Porto Alegre); Memória do que vem, futuro do que foi (2017, Museu de Artes Visuais Ruth Schneider, Passo Fundo); Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (2017, Czech Center, Praga, República Tcheca); Caixa Preta (2018, Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre); Lento Crepúsculo (2018, Pinacoteca Ruben Berta, Porto Alegre); O lugar enquanto espaço (2018, Baró Galeria, São Paulo); Na beirada da superfície (2018, Boiler Galeria, Curitiba); Faltava-lhe um defeito para ser perfeita (2019, Museu do Trabalho, Porto Alegre); Pintura como presságio (2019, Paço Municipal, Porto Alegre); Máscara Maré Memória (2023, Lima Galeria, São Luís); Um mistério menor (2023, Gisela Projects, São Paulo); Apocalipse (2024, Espaço Paradoxo, Rio de Janeiro); Cidade Dorme (2024, Caroço Projeto, São Paulo); Size Does Not Matter (2024, Gallery Nosco, Bruxelas, Bélgica); 14ª Bienal do Mercosul (2025, Porto Alegre); Inferno, Cânticos I e II (2025, Galeria Amparo 60 e Galeria Garrido, Recife); Meu quintal é maior que o mundo (2025, Galeria Triângulo, São Paulo); e Praia no Louvre (2026, Galeria Verve, São Paulo).
Recebeu o Prêmio de Arte Contemporânea do Instituto Estadual de Artes Visuais – 3ª Edição (2014); o Prêmio Novíssima Geração, Museu do Trabalho, Porto Alegre (2017); foi indicada ao Prêmio Açorianos nas categorias Destaque em Pintura e Artista Revelação (2018); recebeu o Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa – Residência Artística (2019); e foi indicada ao Prêmio PIPA (2019 e 2021).
Suas obras integram os acervos do Museu de Arte Contemporânea do RS – MAC-RS (Porto Alegre); do Museu de Arte do Rio Grande do Sul – MARGS (Porto Alegre); e do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM (Recife).