Wagner Costa nasceu em Porto Alegre, em 1983, onde vive e trabalha. É artista visual, arquiteto e pesquisador, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Unisinos e especialista em Linguagens da Arte Contemporânea pela FAAP.
Seu trabalho parte da investigação dos limites instáveis entre o corpo e o mundo. Pesquisa que se desdobra em desenhos, pinturas, monotipias, objetos, esculturas, instalações e vídeos, sem se fixar a uma única linguagem. A escolha dos materiais e processos responde, antes, ao comportamento da matéria diante do corpo e dos corpos: sua capacidade de registrar pressão, contorno, peso, dobra, suspensão, opacidade, sombra e deslocamento. Na sua produção, o corpo não aparece como figura estável, mas como medida, vestígio e campo de relação.
Suas obras mobilizam operações de recorte, pigmentação, prensagem, montagem, projeção e suspensão, para deslocar o desenho do plano para o espaço. Fragmentos derivados de contornos corporais assumem diferentes regimes de presença: ora se acumulam em relevos e caixas; ora se desprendem em instalações suspensas; ora se reorganizam como objetos, estruturas ou situações participativas. Materiais como pigmentos minerais, ferrugem, negro de fumo, dióxido de titânio, papel e metal atuam como agentes de transformação da imagem, fazendo da superfície um campo tátil e instável.
A formação em arquitetura atravessa sua produção no modo como articula estrutura, escala e espacialidade, enquanto suas proposições coletivas ampliam o desenho para o encontro, a escuta e a presença do outro. Entre superfície e volume, gesto e matéria, intimidade e espaço público, Costa desenvolve uma prática em que a imagem não se conclui como representação, mas permanece em estado de passagem: uma forma provisória de recompor os limites do corpo no mundo.