Stromboli

Curadoria de Bernardo José de Souza

13.06
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16.08.2026

Bolsa

Em erupção estromboliana há mais de mil anos, esta ilha vulcânica do mar mediterrâneo é um corpo geológico em constante atividade e transformação. Suas praias negras, lava incandescente, gases tóxicos e ruídos guturais, bem como suas tortuosas rochas magmáticas, fazem de Stromboli um cenário de beleza e devastação.

O corpo humano, metaforicamente, também pode ser compreendido como um vulcão, um organismo em permanente metamorfose: seus sucessivos abalos emocionais, suas explosões de desejo, ira e paixão dão o compasso a mudanças que se processam tanto no âmbito psíquico quanto no físico. Levado ao limite, tal qual a ilha de Stromboli, o corpo reage de maneiras diversas ao conjunto de forças que sobre ele se impõem, sejam elas da gravidade, da opressão, do trabalho, do prazer, da insanidade ou mesmo de medo.

Como alegoria para um mundo em descontrole —cujos arranjos biológicos, políticos, sociais e tecnológicos sinalizam possibilidades diversas de coexistência, sobrevivência e ocaso— esta mostra reúne artistas de um amplo arco geográfico-geracional para especular sobre as transformações sofridas pelo corpo tanto na vida quanto na arte, seja ele humano, não humano ou mais que humano. O corpo é aqui entendido como esfera plástica, a partir da qual irrompem forças antagônicas que a um só tempo buscam e rechaçam estabilidade— polos de uma mesma face, uma visível, a outra oculta, ambas operando em uma atmosfera de fragilidade, risco, violência e paixão.

 

Bernardo José de Souza

 

Artistas: Adriana Varejão, Alice Shintani, Amoako Boafo, Ana Mazzei, Andressa Cantergiani, Arthur Barrio, Camila Elis, Carlos Pasquetti, Chico Machado, Cildo Meireles, Cristiano Lenhardt, Di Cavalcanti, Eduardo Haesbaert, Elena Damiani, Emmanuel Nassar, Hélio Melo, Iberê Camargo, Ío, Ismael Nery, Ivens Machado, José Leonilson, Letícia Lopes, Letícia Ramos, Liuba Wolf, Louise Bourgeois, Lúcio Fontana, Luiz Roque, Luiz Sacilotto, Lygia Pape, Maria Lídia Magliani, Marina Borges, Mauro Fuke, Michel Zózimo, Montez Magno, Nelson Leirner, Olga de Amaral, Paloma Bosquê, Portinari, Robert Mapplethorpe, Rodolpho Parigi, Romy Pocztaruk, Saint Clair Cemin, Sara Ramo, Sarah Lucas, Tarsila do Amaral, Tony Oursler e Toyin Ojih Odutola.

Obras

Sem título, 2024

Marina Borges

Infante, 2023

Saint Clair Cemin

Luz, 2025

Camila Elis

Mandala Alta, 2013

Mauro Fuke

Sem título, 1986

Maria Lídia Magliani

Neija, 1984

Robert Mapplethorpe

Sem título, 2021

Alice Shintani

Pintura, 1972

Iberê Camargo

Sem título, 2022

Amoako Boafo

Mural de fibra, 1982

Olga de Amaral

As ruas da cidade, 1988

José Leonilson