A Bolsa de Arte de Porto Alegre apresenta uma seleção de obras de artistas fundamentais para o nosso tempo. Entre nomes já consolidados no circuito brasileiro como Antonio Dias, Cláudio Tozzi, João Câmara e Miriam Inez da Silva e artistas recém incorporados ao time da galeria, como Bruno Novelli, Leticia Lopes, Michel Zózimo, Daniel Acosta e Henrique Fuhro, a Bolsa reafirma seu compromisso com a qualidade e o atravessamento potente entre poéticas diversas.
Antonio Dias ocupa uma posição central na arte brasileira contemporânea, tendo desenvolvido uma produção marcada pela investigação crítica das relações entre linguagem, imagem e poder. Sua obra articula procedimentos conceituais, deslocando signos e formas para tensionar os modos de representação e circulação da imagem. Em diferentes suportes e linguagens, o artista construiu um vocabulário visual de grande síntese e potência, no qual ironia e experimentação se encontram.
Cláudio Tozzi construiu uma trajetória expressiva ao investigar as relações entre imagem, cidade e cultura visual. Partindo de referências da comunicação de massa e da paisagem urbana. Sua produção desenvolve uma linguagem gráfica marcante, com cores intensas, planos geométricos e ritmo visual. O artista desenvolveu uma linguagem singular, capaz de articular experimentação formal e reflexão crítica sobre os contextos sociais e políticos de seu tempo.
João Câmara desenvolveu uma produção marcada pela construção de narrativas visuais densas, nas quais história, memória e imaginação se entrelaçam. Em pinturas, desenhos e gravuras, a figura humana ocupa um lugar central, surgindo em cenas de forte tensão psicológica e simbólica. Por meio de séries que revisitam episódios da história brasileira e exploram as relações entre poder, desejo e comportamento, o artista construiu uma obra de grande complexidade narrativa e expressiva.
Miriam Inez da Silva desenvolveu uma poética lúdica e singular, na qual a memória e a experiência cotidiana se encontram para constituir um imaginário fantástico. Sua produção revela uma investigação atenta aos gestos, às formas e às camadas de significação que constituem o espaço e a vivência humana.
Entre os artistas recentemente incorporados ao programa da galeria, Daniel Acosta desenvolve obras que cruzam arte, design e arquitetura. Ao explorar as relações entre forma e espaço, o artista permite possibilidades de interação do espectador com o objeto, através de novas formas de percepção.
Michel Zózimo desenvolve uma produção que reúne desenho, bordado, cerâmica, colagem, escultura e instalação. A partir de pesquisas visuais que evocam fenômenos naturais, universos oníricos e imaginários científicos e mágicos, o artista desenvolve obras ricas em detalhes, repletas de referências às formas da natureza e imaginários cósmicos.
Bruno Novelli constrói universos pictóricos nos quais paisagens exuberantes são habitadas por seres híbridos e antropomórficos. Referências a expedições científicas, mitologias ancestrais, bestiários fantásticos e diferentes tradições da história da arte são reorganizadas pelo artista em uma cosmogonia singular. Suas pinturas concebem territórios imagéticos em que a natureza se apresenta como campo de invenção e fabulação.
Henrique Fuhro desenvolveu uma produção marcada pelo diálogo com a cultura de massa, a publicidade e os meios de comunicação. Em pinturas, desenhos e gravuras, apropriou-se de imagens e signos do cotidiano para construir uma linguagem figurativa de forte impacto gráfico. Sua obra articula o repertório visual de seu tempo a uma reflexão crítica sobre as relações entre imagem, consumo e sociedade.
Letícia Lopes desenvolve uma pintura marcada por uma atmosfera de suspensão. A partir da apropriação de imagens provenientes de livros de arte, fotografias, postais e enciclopédias, a artista reorganiza referências e desloca seus sentidos, criando composições de intensa instabilidade perceptiva. Sua obra constrói paisagens de caráter onírico e enigmático, nas quais ocultamento e revelação tensionam continuamente o olhar.
Ao reunir diferentes gerações, linguagens e perspectivas, a seleção de obras para a feira Rotas evidencia a amplitude do programa da Bolsa de Arte e seu interesse em promover diálogos entre trajetórias e produções contemporâneas, aproximando obras que, em suas singularidades, ampliam as possibilidades de leitura do presente.